Edu de Barros — Looping
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Apresentação
Em Looping, sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro, Edu de Barros apresenta um conjunto inédito de pinturas, esculturas e instalações que se organizam a partir de uma concepção de tempo não linear. Aqui, a história não se desenrola em progressão, mas em ciclos: imagens retornam, se reconfiguram e se contaminam mutuamente, fazendo coexistir episódios bíblicos, fabulações apocalípticas e signos da cultura contemporânea.
A prática do artista se estrutura na fricção entre campos simbólicos aparentemente distantes. Elementos da iconografia cristã convivem com referências esotéricas e signos urbanos, compondo uma visualidade híbrida em que o sagrado e o profano deixam de operar como categorias opostas para se tornarem instâncias indissociáveis. Nesse território instável, visões como um apocalipse tropicalizado, arrebatamentos angelicais ou aparições extraterrestres sobre a América Latina emergem menos como alegorias fixas e mais como projeções de um imaginário em constante mutação.
Formalmente, essa instabilidade se manifesta na construção das figuras. Corpos em escorço, perspectivas abruptas e enquadramentos vertiginosos produzem uma sensação de deslocamento contínuo, como se o espectador fosse lançado para dentro de uma narrativa em queda. Há, nessas imagens, uma ambiguidade persistente entre ascensão e colapso, entre a promessa de transcendência e a iminência da ruína. O céu e o inferno deixam de ser lugares distantes para se insinuarem como estados simultâneos, nos quais o cotidiano se infiltra no extraordinário.
A série Retábulos explicita essa operação ao reapropriar um dispositivo clássico da tradição religiosa que carrega seus próprios segredos linguísticos. Historicamente vinculado à organização de narrativas sagradas em estruturas sequenciais, o retábulo é aqui deslocado para um campo subjetivo, onde episódios íntimos, personagens ordinários e figuras fantásticas compartilham o mesmo plano simbólico. Ao tensionar esse formato, Edu de Barros não apenas revisita uma gramática visual, mas a reinscreve como ferramenta para a construção de um imaginário contemporâneo.
A exposição se expande ainda no espaço arquitetônico da galeria. Suspensa no ambiente, uma abóbada, evocando catedrais e mesquitas,. Ao longo do período da mostra, a pintura dessa estrutura é realizada pelo artista no próprio espaço, deslocando o ateliê para dentro da galeria e incorporando o tempo de execução como parte constitutiva da obra.
Entre imagens que retornam e se transformam, entre narrativas que se sobrepõem e se desfazem, Looping propõe um estado de vertigem. Um movimento incessante que, ao girar sobre si mesmo, desestabiliza qualquer ponto fixo, e nos convida a habitar esse intervalo.
Vistas da exposição
Obras
![Edu de Barros Arrebatamento, 2024 Óleo sobre madeira [Oil on wood] 170 x 165 cm (Díptico) [66 7/8 x 65 in] (Diptych)](https://static-assets.artlogic.net/w_800,h_800,c_limit,f_auto,fl_lossy,q_auto/artlogicstorage/galeriaathena/images/view/7969ac3675ef92590574bb8bb6c7715aj/galeriaathena-edu-de-barros-arrebatamento-2024.jpg)