Raquel Versieux Belo Horizonte, Brasil, 1984
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As palavras erosão e ereção não possuem origem etimológica comum e tampouco referem-se a substantivos no grau aumentativo. São palavras que terminam em “ão”. Raquel Versieux se interessa pela díade erosão-ereção compreendendo-a inicialmente enquanto força escultórica, ora removedora ora acumuladora de matéria, num sentindo pulsante e circular.
É uma chave muitas vezes ativada pela artista para designar seu próprio processo artístico, manifestado em diversas obras cujos títulos fazem referência à uma ou outra palavra, como em “Das erosões, máquina I” (2010); “Erosões de luz acontecem aqui entre 1817 e 2817 ao meio-dia e dez de 21 de novembro a 22 de janeiro em Belo Horizonte” (2011); “Ereção para o escuro, ontogênese” (2014) ou na série de quatro vídeo-performances em que repete exaustivamente essas palavras diante da webcam, em português, inglês, francês e espanhol, fazendo emergir outras sonoridades e sentidos para elas.
A artista vem utilizando a dimensão ocupada pelos títulos de suas obras como a escritura de um texto ou um poema editado pelo tempo transcorrido entre as mesmas. Isso nos deixa perceber seu interesse pela relação entre imagem e palavra, o que fica evidente aqui, quando escreve com a sua própria letra as palavras erosion e erection em neon vermelho.
Mais do que apontar apenas para o que entendemos por “erosão” ou “ereção” de forma distinta, podemos pensar na faísca desses dois estados sobrepostos ou em uma certa tensão sexual que acontece entre eles. Daí passamos a imaginar estados desconhecidos e por isso mesmo urgentes e necessários, como por exemplo o da ereção feminina ou de contra-narrativas simultaneamente à erosão de estruturas opressoras de poder e controle de corpos.
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